À primeira vista, a aprovação acelerada do PL da Anistia e da PEC da Blindagem pareceu apenas uma resposta política imediata às ações do STF. Mas será que existe um padrão racional por trás dessa movimentação? Uma nova análise, baseada na classificação ideológica dos partidos brasileiros, revela que o comportamento das legendas não foi aleatório. O estudo mapeia como a ideologia dividiu a Câmara em quatro grupos distintos, expondo as nuances — e as contradições — entre direita e esquerda no Brasil.
O Desafio Investigado: O artigo parte de um cenário de tensão institucional: a aprovação, em regime de urgência, de duas medidas polêmicas (PL da Anistia aos acusados de tentativa de golpe e PEC da Blindagem parlamentar) logo após decisões do STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sobre as “emendas Pix”. O desafio central é investigar se esses votos foram apenas reações corporativistas ou se seguiram uma lógica de comportamento ideológico consistente.
A Proposta Central: Para decifrar esses votos, o autor aplica a classificação ideológica dos partidos brasileiros (elaborada pelos pesquisadores Bolognesi, Ribeiro e Codato – UFPR/UEM). A análise cruza os votos das duas propostas para verificar se a posição dos partidos no espectro esquerda-direita prediz seu comportamento parlamentar nessas pautas específicas.
Evidências e Argumentos: Utilizando a normalização dos dados de votação para criar um gráfico de Polarização Partidária, o estudo identifica a formação de quatro grupos distintos de comportamento:
- Contrários à Anistia, mas favoráveis à Blindagem: Partidos de centro-esquerda/esquerda (PDT, PSB, PV).
- Favoráveis a ambas (Anistia e Blindagem): O maior bloco, composto majoritariamente por partidos de direita e do “Centrão” (PL, PP, Republicanos, MDB).
- Contrários a ambas: O núcleo da esquerda (PSOL, PCdoB, Rede e PT — embora o PT tenha nuances na PEC).
- Contrário à Blindagem, mas favorável à Anistia: Grupo isolado representado apenas pelo partido NOVO.
Implicações e Contribuições: A análise conclui que a ideologia é um preditor forte, especialmente na questão da Anistia, onde a polarização esquerda-direita ficou nítida (esquerda contra, direita a favor). No entanto, a votação da PEC da Blindagem revela uma complexidade maior, onde o interesse corporativo às vezes se sobrepõe à ideologia, unindo partes da esquerda e da direita a favor da medida, com exceções notáveis nas pontas do espectro. O estudo oferece uma visualização clara de como as legendas se agrupam na prática legislativa atual.
Foto: Fábio Vieira/Estadão
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