Quando governadores antecipam discursos de oposição e o Congresso derruba medidas econômicas vitais de olho nas urnas, a pergunta é inevitável: a eleição de 2026 já começou? O que parecia apenas retórica política foi confirmado pelos dados. Uma análise massiva de 407 mil publicações na imprensa brasileira (2011-2025) revela que o governo Lula 3 bate recordes de menções eleitorais logo no início do mandato. Entenda como a polarização instituiu o estado de ‘campanha permanente’ e o que isso custa para a governabilidade do país.
O Desafio Investigado: O artigo parte de movimentos políticos recentes — como a articulação de pré-candidatos da direita (Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas) e a derrubada de Medidas Provisórias estratégicas para o governo — para investigar a hipótese da antecipação do calendário eleitoral. O problema central é verificar se o foco excessivo na sucessão de 2026 está, de fato, sequestrando a agenda pública e prejudicando a execução de políticas atuais, ou se isso é apenas o funcionamento normal da política.
A Proposta Central: Para sair do “achismo”, a análise utilizou mineração de dados em mais de 1.400 veículos digitais de imprensa, cobrindo o período de 2011 a outubro de 2025. O estudo rastreou a frequência de termos ligados a “eleições presidenciais” associados aos principais líderes políticos (Lula, Bolsonaro, Dilma, Temer, etc.), totalizando mais de 407 mil menções.
Evidências e Argumentos: Os dados confirmam a hipótese da antecipação com robustez estatística:
- Recorde no Início de Mandato: Em números absolutos e relativos, os dois primeiros anos do governo Lula 3 registram uma frequência de menções eleitorais superior aos mandatos de Dilma, Temer e Bolsonaro no mesmo estágio.
- A “Campanha Permanente”: Enquanto o 3º ano de mandato costuma ser o ponto de virada, o atual governo já iniciou sob forte especulação sucessória.
- Fatores Causais: O estudo aponta que eventos como a anulação dos processos de Lula (2021) e a inelegibilidade de Bolsonaro (2023) mantiveram a temperatura eleitoral no máximo, sem o tradicional período de “resfriamento” pós-urna.
Implicações e Contribuições: A análise conclui que a ascensão de uma direita competitiva e a polarização em torno de duas figuras dominantes (Lula e Bolsonaro) alteraram o ciclo político brasileiro. A imprensa reflete e amplifica essa dinâmica, transformando o debate público em uma disputa contínua. Na prática, isso significa que governo e oposição tomam decisões de curto prazo (como votar contra uma MP de arrecadação) baseados quase exclusivamente no cálculo de 2026, limitando o espaço para debates de políticas públicas não eleitorais.
Foto: Paralaxis – Crédito: Getty Images/iStockphoto
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