A maioria dos brasileiros (67% contra Bolsonaro, 59% contra Lula) diz não querer a repetição da polarização em 2026. Mas se o diagnóstico é claro, a solução é um quebra-cabeça. Uma nova pesquisa qualitativa com as classes C, D e E revela que o eleitor ‘nem-nem’ está rachado ao meio: uma parte deseja um gestor experiente e moderado, enquanto a outra clama por um ‘outsider’ radical e autoritário. Entenda como essa divisão interna torna quase impossível o surgimento de uma candidatura única de terceira via.
O Desafio Investigado: Pesquisas quantitativas (Quaest/Nov 2024) mostram um desejo massivo de renovação: 24% dos eleitores querem alguém sem vínculo com Lula ou Bolsonaro, e 17% preferem explicitamente um outsider. O artigo investiga a complexidade por trás desses números: quem é, afinal, esse eleitor que rejeita os dois polos? A crença comum é que se trata de um grupo de “centro” coeso, mas a realidade é bem mais fragmentada.
A Proposta Central: Para aprofundar a compreensão, o INCT ReDem realizou grupos focais com eleitores das classes C, D e E em São Paulo. O objetivo foi captar as nuances qualitativas do pensamento daqueles que se declaram “Independentes” ou sem posição ideológica definida.
Evidências e Argumentos: O estudo identificou que o eleitorado não polarizado se divide em dois perfis com desejos opostos:
- O Cético Antissistema: Eleitores frustrados e desiludidos, que veem a política institucional como corrupta e ineficaz. Tendem a apoiar figuras autoritárias (o “modelo El Salvador” é citado) e propostas radicais de ruptura. Para eles, o outsider ideal é alguém que “quebre” as regras.
- O Moderado Esperançoso: Eleitores de centro que querem renovação, mas valorizam a competência. Desejam um nome novo, mas que tenha “passado pelo caminho das pedras” (experiência administrativa). Para este grupo, o outsider ideal é um técnico ou gestor que opere dentro das regras democráticas.
Implicações e Contribuições: A análise conclui que o caminho para escapar da polarização é sinuoso. A existência desses dois perfis cria um dilema estratégico: um candidato que agrade o cético radical (com discurso agressivo) afasta o moderado (que busca estabilidade), e vice-versa. Isso sugere que, em vez de uma união em torno de um nome de consenso, o cenário para 2026 tende à fragmentação de candidaturas ou ao aumento da abstenção e votos nulos.
Foto: Montagem com fotos Folhapress
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