- Janeiro, 2026
- Autoria: Maiane Bittencourt, Júlio Canello, Djiovanni Marioto e Mayara Martins
- Nº 1
- Vol. 3
- Resumo:
- Introdução: Este estudo investiga a existência de um teto de vidro racial na Câmara dos Deputados brasileira no biênio 2025–2026 da 57ª Legislatura, analisando se parlamentares negros enfrentam barreiras no acesso aos cargos de maior poder intraparlamentar na conversão do mandato eletivo em influência institucional, mesmo após a eleição. Métodos: Utiliza-se o Índice de Influência Parlamentar (IFI), que atribui pontuações de 0 a 10 aos deputados conforme a ocupação de cargos institucionais formais (como presidência de comissões, liderança partidária e Mesa Diretora). O IFI é um índice consolidado, construído com base na estrutura institucional da Câmara desde 1999, sendo aqui aplicado à distribuição observada na 57ª Legislatura. A identificação racial baseia-se na autodeclaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerando a categoria “negros” como a agregação de pretos e pardos, validada por verificação de consistência cadastral com registros oficiais da Câmara dos Deputados. Resultados: A análise revela estratificação racial sistemática: parlamentares brancos concentram-se progressivamente nos níveis superiores de influência institucional. Embora pretos e pardos componham 28% da Câmara, representam apenas 19% dos estratos superiores do ranking de influência (top 100) e somente um parlamentar figura entre os níveis mais elevados de poder institucional (top 20). Discussão: Os achados demonstram que a desigualdade racial no Legislativo transcende o acesso ao mandato eletivo, manifestando-se na distribuição desigual de poder institucional interno. Os resultados são consistentes com a hipótese do teto de vidro racial: parlamentares negros alcançam a representação formal, mas permanecem sistematicamente excluídos das posições decisórias de maior influência na estrutura parlamentar.
*Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado – Fonte: Agência Senado

