Enquanto o Brasil parece irremediavelmente dividido entre dois polos, um quarto do eleitorado recusa essa briga. Eles são os ‘Nem, Nem’: eleitores que não nutrem simpatia nem pelo petismo, nem pelo bolsonarismo. Mas não se engane: eles não são alienados. Uma nova pesquisa do INCT ReDem revela que esse grupo, majoritariamente jovem e crítico, pode ser o fiel da balança em 2026. Entenda como o descontentamento ativo desse bloco pode definir o futuro da nossa democracia.
O Desafio Investigado: Em um cenário político dominado pela polarização afetiva, onde eleitores defendem apaixonadamente Lula ou Bolsonaro, surge uma anomalia estatística e sociológica: 25% dos brasileiros declaram indiferença a ambas as lideranças. O artigo busca decifrar quem são esses cidadãos (os “Nem, Nem”), questionando se sua postura é fruto de apatia política ou de uma rejeição consciente ao sistema atual.
A Proposta Central: Baseado em um survey nacional realizado em fevereiro de 2025 (amostra de 1.504 respondentes via IPSOS-IPEC), o estudo propõe que esse grupo não é politicamente ingênuo ou alheio. Pelo contrário, trata-se de um eleitorado movido pelo “antipersonalismo” e pelo descontentamento ativo. Eles participam das eleições (apenas 14% anularam/votaram em branco em 2022), mas seu voto é volátil e pragmático, não fidelizado.
Evidências e Argumentos: A pesquisa traça um raio-X detalhado desse grupo decisivo:
- Demografia: Majoritariamente homens (52%), adultos jovens (quase 40% entre 16-34 anos) e com menor escolaridade superior.
- Comportamento: Possuem alta insatisfação com a democracia e pessimismo econômico. Curiosamente, são o grupo que mais rejeita a violência política (46% condenam atos violentos de qualquer lado).
- Ideologia: Não há alinhamento automático. Em 2022, dividiram-se quase matematicamente: 42% votaram em Lula e 44% em Bolsonaro, guiados por cálculo conjuntural e não por paixão.
Implicações e Contribuições: A análise conclui que os “Nem, Nem” representam o centro incerto da política brasileira. Ignorá-los é um erro estratégico. Para 2026, eles podem seguir três caminhos:
- Serem cooptados por candidaturas moderadas.
- Forçarem os polos radicais a ajustarem o discurso para o centro.
- Ou, pelo risco da insatisfação, apostarem em candidatos “outsiders” ou aventureiros. Compreender esse grupo é compreender a chave para a governabilidade e para o resultado das próximas eleições.
Foto: Folhapress
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