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Análise: Os desafios aos candidatos do campo da direita à presidência e o perfil dos seus eleitores

Escrito por: Fábio Vasconcellos

Governadores como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema disputam a benção de Jair Bolsonaro para 2026. Mas uma análise profunda do eleitorado de direita revela que a ‘transferência de votos’ é um campo minado. O bolsonarismo não é um bloco único: ele se divide em três grupos com valores surpreendentemente contraditórios — incluindo conservadores que apoiam programas sociais e liberais que rejeitam o radicalismo. Descubra como essa fragmentação, somada ao desgaste do 8 de janeiro, pode obrigar a direita a buscar um caminho além do ex-presidente.

O Desafio Investigado: Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, a corrida pela sua sucessão na direita se acirrou entre governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR). O problema central analisado é a crença equivocada de que a base bolsonarista é homogênea e transferível automaticamente. O artigo investiga como as diferenças internas desse eleitorado e o impacto dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro complicam a equação para 2026.

A Proposta Central: Para decifrar quem é, de fato, o eleitor de direita hoje, a análise recorre a um estudo de clusterização realizado pelo cientista político João Feres Júnior (IESP/UERJ). A pesquisa segmenta os votantes de Bolsonaro em 2022 não apenas por intenção de voto, mas por valores morais, econômicos e políticos, revelando nuances que a polarização superficial esconde.

Evidências e Argumentos: O estudo identifica três grupos distintos que compõem essa base, muitas vezes com interesses conflitantes:

  1. Liberais Antipetistas: Progressistas em políticas sociais e costumes, mas unidos pelo forte rejeição ao PT (herança da Lava Jato). São os mais propensos a rejeitar discursos golpistas.
  2. Punitivistas Pragmáticos: O grupo da “lei e da ordem”. Defendem pena de morte, armamento e militarização, com tendências mais autoritárias.
  3. Conservadores Religiosos: Focados na pauta moral (anti-aborto, anti-casamento gay), mas — contraditoriamente — apoiam a intervenção do Estado na economia e programas de transferência de renda como o Bolsa Família.

 

Implicações e Contribuições: A análise conclui que o “pacote completo” do bolsonarismo raiz (conservadorismo moral + discurso anti-instituições) pode não funcionar para todos. Especialmente o grupo dos Liberais Antipetistas pode se afastar de uma candidatura associada ao golpismo ou ao 8 de janeiro. Isso abre um cenário inédito para 2026: a possibilidade de surgimento de uma liderança de direita competitiva que seja antipetista e conservadora, mas que, estrategicamente, se desvincule do radicalismo institucional de Bolsonaro para atrair a base moderada.

 

Foto: Montagem sobre fotos da Folhapress

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Autor

Fábio Vasconcellos – Doutor em Ciência Política pelo IESP (2013) e mestre em Comunicação Social pela UERJ (2008). Professor associado da Faculdade de Comunicação UERJ. Temas de interesse: Comportamento Eleitoral; Comunicação Política; Eleições; Opinião Pública; Analise de Dados.
 

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