Enquanto 80% dos brasileiros exigem prioridade no combate ao aquecimento global, a Câmara dos Deputados segue na contramão, aprovando leis que favorecem emissões de gases estufa. O que explica esse descompasso brutal? Um novo Policy Brief do INCT-ReDem revela como o lobby do agronegócio e a ideologia partidária criaram um ‘Congresso emissor’, ignorando uma opinião pública cada vez mais verde. Entenda os dados desse abismo e as propostas para reconectar o voto do deputado à vontade do eleitor.
O Desafio Investigado: O Brasil vive uma contradição democrática na agenda climática: o “descompasso” entre as preferências da sociedade e a atividade parlamentar. O artigo investiga por que, apesar de uma população majoritariamente preocupada com o meio ambiente e contrária ao desmatamento, o Congresso Nacional (2019-2023) tem produzido sistematicamente legislações antiambientais e favoráveis à emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).
A Proposta Central: Cruzando dados legislativos com pesquisas de opinião, o estudo traça dois perfis opostos:
- O Legislativo Emissor: Utilizando o inovador CO₂-Index, os autores mostram que mais de 50% dos deputados têm atuação “sistematicamente antiambiental”. Há uma correlação clara: partidos de direita (PL, PP, NOVO) e membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) lideram o perfil emissor, enquanto a esquerda tende a ser mitigadora.
- A Opinião Pública Verde: Segundo a pesquisa PVAAA, 80% dos brasileiros querem prioridade máxima contra o aquecimento global e rejeitam pautas como garimpo em terras indígenas e flexibilização do licenciamento ambiental.
Evidências e Argumentos: O estudo destaca duas complexidades cruciais:
- O Paradoxo Amazônico: Residentes da Amazônia rejeitam a destruição (garimpo/madeira), mas 70% avaliam positivamente o agronegócio e apoiam a expansão de áreas agrícolas, criando um desafio para políticas de “desmatamento zero”.
- Vulnerabilidade à Desinformação: Classes de renda C e D mostram alta suscetibilidade a acreditar e compartilhar notícias falsas sobre o clima, embora residentes da Amazônia sejam curiosamente mais resistentes a compartilhar esses conteúdos.
Implicações e Contribuições: Para fechar esse abismo, o Policy Brief recomenda:
- Responsabilização: Criação de um “Relatório Anual de Impacto Climático Legislativo” para dar transparência ao voto “sujo”.
- Comunicação Empática: Uso de cientistas e comunicadores que traduzam dados técnicos para a linguagem do cotidiano (focada em enchentes, calor, seca), combatendo a pecha de elitismo da pauta ambiental.
- Educação Midiática: Focada em rastreabilidade de fontes para as classes mais vulneráveis à desinformação.
Foto: AP Photo / Eraldo Peres
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