Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia | Representação e Legitimidade Democrática | ReDem

Na nova arquitetura da informação, a força crescente dos influenciadores e a queda do jornalismo profissional

Escrito por: Fábio Vasconcellos

Quem decide o que é notícia no seu feed: um editor profissional ou um criador de conteúdo? Se você tem menos de 35 anos, a resposta provavelmente é a segunda opção. Uma nova análise do Reuters Institute revela uma virada histórica: o ‘centro gravitacional’ da informação deslocou-se das redações para os influenciadores. No Brasil, esse fenômeno é ainda mais radical, criando bolhas ideológicas distintas e desafiando a própria capacidade da sociedade de construir consensos democráticos.

O Desafio Investigado: Por décadas, o jornalismo profissional foi o mediador exclusivo da realidade política e social. O artigo investiga o colapso desse monopólio e a ascensão de uma nova autoridade: o influenciador digital. A análise busca entender se essa mudança é apenas uma moda passageira ou uma transformação estrutural na arquitetura da informação global, com foco específico no cenário brasileiro.

A Mudança Estrutural (Dados e Evidências): Apoiado na pesquisa global do Reuters Institute (divulgada em 28/10), o texto confirma que a transformação é profunda e geracional:

  • Globalmente: 48% dos usuários com menos de 35 anos consomem notícias via criadores, superando os 41% que recorrem à mídia tradicional.
  • No Brasil: O cenário é de “alto impacto”. Com 84% da população conectada, os criadores independentes já batem as marcas jornalísticas na atenção regular (33% contra 30%).

 

O Perfil da Nova Influência: A análise detalha quem são esses novos mediadores e onde atuam:

  • Plataformas: O Instagram é o principal campo de batalha, enquanto o YouTube serve ao aprofundamento ideológico.
  • Gênero: Há uma predominância masculina marcante (85% dos top influenciadores de notícias são homens).
  • Hibridismo: Jornalistas tradicionais estão migrando para o digital (ex: Alexandre Garcia, Tucker Carlson), trocando a neutralidade pela opinião partidária para engajar nichos.

 

Implicações e Contribuições: O estudo destaca uma assimetria preocupante na polarização nacional. Enquanto o público de esquerda ainda consome mídia tradicional combinada com ativistas, o público de direita tende a seguir influenciadores nativos digitais com forte viés conservador. A substituição da confiança institucional (no jornal) pela confiança pessoal (no influenciador) gera uma hiperfragmentação. Sem mediadores comuns, a sociedade perde a capacidade de estabelecer consensos, potencializando a tensão política e fragilizando a democracia.

 

Foto: Reprodução/Freepik

Siga @redem.inct no Instagram e @redem_inct no X para saber mais sobre os estudos realizados por nossos pesquisadores!

Autor

Fábio Vasconcellos – Doutor em Ciência Política pelo IESP (2013) e mestre em Comunicação Social pela UERJ (2008). Professor associado da Faculdade de Comunicação UERJ. Temas de interesse: Comportamento Eleitoral; Comunicação Política; Eleições; Opinião Pública; Analise de Dados.
 

Compartilhar esse conteúdo

Veja Também