- Agosto, 2026
- Autoria: Fábio Vasconcellos
- Nº 4
- Vol. 3
- Resumo:
Introdução: O debate político brasileiro assume que a eleição de governadores no primeiro turno favorece as candidaturas presidenciais aliadas no segundo. Este estudo testa a hipótese inversa: a definição antecipada do pleito estadual desmobiliza as máquinas partidárias locais, impondo perdas à chapa presidencial. Métodos: Construímos um painel com mais de 66 mil observações município-ano nas seis eleições gerais entre 2002 e 2022. O desenho explora a assimetria institucional do período (100% de segundo turno presidencial contra 54,9% de encerramento no primeiro turno para governador), com modelos de efeitos fixos de duas vias (TWFE), erros-padrão clusterizados por estado e testes de robustez sobre palanques ativos e abstenção. Resultados: O efeito agregado nacional é nulo (−0,02 p.p.), mas há forte heterogeneidade regional. A vitória estadual antecipada impõe perdas ao presidenciável aliado no Centro-Oeste (−2,98 a −3,96 p.p.) e no Sudeste (−1,38 a −3,32 p.p.), associadas à desmobilização de rua; Nordeste e Sul não apresentam efeitos significativos e, no Norte, o efeito emerge apenas após 2018. A abstenção sobe na ausência de segundo turno estadual, sobretudo no Norte e no Nordeste. Discussão: A transferência de votos governador-presidente é operacional, não simbólica: satisfeito o interesse estadual, aliados locais adotam comportamento de free-rider, com perdas capazes de alterar disputas presidenciais acirradas..
.
*Imagem: TSE – Fonte: TSE


