O que este white paper mostra
Seis grupos focais com dez participantes cada, no estado de São Paulo, em fevereiro de 2025.
Insider, outsider completo, amador e rebelde, com diferentes níveis de experiência política e tipos de discurso.
Os grupos ocorreram em três dias de pesquisa, entre 18 e 20 de fevereiro de 2025.
São Paulo, a mais populosa do país, e Bauru, incluída para captar possíveis diferenças entre grandes capitais e interior.
Síntese
O paper investiga as percepções dos eleitores brasileiros sobre candidatos outsiders e antissistema visando as futuras eleições presidenciais. O objetivo é entender se o eleitor se sente atraído por um candidato outsider simplesmente por ele não ser um político de carreira, pelo seu discurso contra a política tradicional, ou pela junção dessas duas características.
Foi realizada uma pesquisa qualitativa com seis grupos focais, com 60 eleitores do estado de São Paulo, capital e Bauru, em fevereiro de 2025. Os participantes das classes C, D e E foram divididos por faixa etária, voto em 2022, Lula ou Bolsonaro, e preferências ideológicas, sem que soubessem do critério de divisão. Foram apresentados perfis fictícios de candidatos presidenciais, insider, outsider completo, amador e rebelde, com diferentes níveis de experiência política e tipos de discurso, e as entrevistas passaram por análise de conteúdo. Os eleitores demonstraram ceticismo generalizado em relação à política, com forte desejo de renovação, mas desconfiança tanto de veteranos quanto de novatos. O candidato tradicional foi o mais rejeitado. O amador teve boa aceitação, com ressalvas. Os outsiders dividiram opiniões, já que a retórica antissistema atraiu, mas gerou preocupações sobre inexperiência e viabilidade.
Há uma visão pragmática em relação aos partidos. O documento conclui que o simples discurso antissistema não é suficiente para conquistar o eleitorado e que um outsider precisará equilibrar novidade com viabilidade política. Os autores registram que a delimitação geográfica ao estado de São Paulo impede estender os achados ao eleitorado brasileiro como um todo, e indicam surveys em larga escala como estudo complementar.
Percepções dos eleitores por perfil de candidato
Político tradicional (insider)
- Percepções
- Perfil mais rejeitado. Associado à corrupção e à ineficácia.
- Nuances e contradições
- Alguns reconhecem o valor da experiência. Poucos valorizam as conexões políticas como necessárias para a governabilidade.
- Diferenças entre grupos
- Eleitores de Bolsonaro, maior rejeição e associação forte à corrupção. Eleitores de Lula, alguns ainda apostam em políticos conhecidos.
Outsider completo
- Percepções
- O discurso antissistema atrai, mas gera desconfiança. Visto como inexperiente e sem força política.
- Nuances e contradições
- Entusiasmo pelo discurso, com ceticismo sobre a viabilidade.
- Diferenças entre grupos
- Melhor aceito entre jovens eleitores de Bolsonaro. Nos demais grupos, visão mais ambígua.
Amador, novato em partido grande
- Percepções
- Boa aceitação geral. Valorização da renovação com pragmatismo.
- Nuances e contradições
- Desconfiança de ser fantoche de políticos tradicionais e suspeita sobre como um novato conseguiria espaço em partido grande.
- Diferenças entre grupos
- Eleitores jovens de Lula, mais favoráveis. Em todos os grupos, preocupação com manipulação.
Rebelde, político em partido pequeno
- Percepções
- Opiniões muito divididas. Visto como oportunista por muitos.
- Nuances e contradições
- Alguns valorizam manter ideais mesmo em partido menor. A maioria desconfia da trajetória e da sinceridade.
- Diferenças entre grupos
- Eleitores de Bolsonaro demonstraram rejeição a esse perfil, apesar de ser semelhante à trajetória de Bolsonaro.
Fonte: elaboração própria, 2025. Conteúdo do Quadro 4 do white paper.
Dados e método
Foram realizados seis grupos focais com dez participantes cada, em três dias de pesquisa, entre 18 e 20 de fevereiro de 2025, com moradores e eleitores ativos do estado de São Paulo, sexo misto e classes C, D e E, divididos entre a capital e Bauru.
A duração média de cada grupo foi de 90 minutos, e o recrutamento e a moderação foram feitos por duas empresas especializadas. As entrevistas passaram por análise de conteúdo.
Os autores registram como limitação a delimitação geográfica ao estado de São Paulo e a natureza qualitativa da pesquisa, com amostra de 60 casos, que não autoriza inferências estatísticas sobre a população brasileira.
Ficha técnica
Roberta Picussa, conceituação, metodologia, investigação, curadoria de dados, redação do rascunho original e visualização. Adriano Codato, conceituação, recursos, redação em revisão e edição, visualização, supervisão, administração do projeto e aquisição de financiamento. Felipe Calabrez da Silva, conceituação, metodologia e redação em revisão e edição.
A autora e o autor deste manuscrito não possuem qualquer conflito de interesses que possa ter influenciado, direta ou indiretamente, a elaboração, análise ou apresentação dos dados e interpretações contidos neste trabalho.
A organização final dos dados qualitativos, especificamente os Quadros 4 e 5 deste paper, foi desenvolvida com assistência do modelo de linguagem Claude 3.7 Sonnet, consultado em 8 de abril de 2025. Todo o conteúdo gerado foi revisado, verificado e editado pelos autores, que assumem total responsabilidade pela precisão, integridade e originalidade do manuscrito final.
Picussa, R., Codato, A., & Calabrez da Silva, F. (2025). Percepções dos eleitores sobre candidatos outsiders nas futuras eleições presidenciais brasileiras. INCT Representação e Legitimidade Democrática (ReDem).


