Há uma hipótese sobre o futuro da direita que talvez ajude a explicar as movimentações desse campo político no tempo presente.
O que o tempo presente nos diz?
Na semana passada, PP e o União Brasil, maior federação partidária do país e que tem entre os seus líderes o senador Ciro Nogueira, o ex-Chefe da Casa Civil do Governo de Jair Bolsonaro, decidiram pela neutralidade na disputa presidencial.

Quase na mesma data, a senadora Tereza Cristina (PP), que foi ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, recusou o convite para ser vice de Flávio Bolsonaro.
O Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (que também foi ministro de Jair Bolsonaro), ainda não decidiu apoiar Flávio.
O PSD, presidido por Gilberto Kassab, tem candidato próprio, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O partido, aliás, formou chapa puro sangue, com Kassab concorrendo como vice.
O minúsculo partido Novo também lançou candidato à Presidência, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Dispersão e isolamento
É nesse cenário de dispersão da direita que Flávio Bolsonaro foi lançado oficialmente como o candidato do PL, na convenção realizada no sábado (25/07), e sem um candidato a vice.
Em 2026, os partidos de direita correram e lançaram candidatos porque imaginaram (erroneamente), que Jair Bolsonaro apoiaria um nome fora da família, mas o ex-presidente preferiu o filho.
Feito o lance político, surge dúvida.
Como é possível que um candidato herdeiro direto de Jair Bolsonaro, que já largou com mais de 30% de intenções de voto, não tenha conseguido reunir apoios, criando uma unidade do campo da direita?
A resposta é: 2030.
A disputa presidencial de 2030 terá um cenário inédito. O principal líder da esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não deverá concorrer. No campo da direita, caso Flávio seja derrotado, e esse é o cenário mais provável com qual os partidos trabalham, Jair Bolsonaro continuará inelegível.
Em resumo, 2030 é uma eleição com grande oportunidade. Embora sejam de direita, PP, União Brasil, Republicanos, PSD e o Novo são, talvez antes de tudo, pragmáticos.
Disputa por hegemonia
A hipótese de derrota de Flávio Bolsonaro orienta hoje as escolhas desses partidos. Sem Jair Bolsonaro, e com Flávio derrotado, as principais lideranças da direita olharam para o futuro e sentiram cheiro de poder, porque o que está em jogo hoje é a hegemonia da direita.
Liderar esse campo pelos próximos quatro anos criaria as condições para lançar uma candidatura competitiva em 2030 e que não passe, necessariamente, pela família Bolsonaro. Flávio derrotado perderia força política nesse processo, estimulando uma fala do tipo: “você (Flávio) teve a sua chance; agora é com a gente”
A eleição de 2026 representa, portanto, um teste para os Bolsonaro. Se vencem, poderão coordenar a direita por muitos anos, inclusive, em 2030. Se perdem, tendem ao isolamento, ficando ainda mais dependentes da sua base mais fiel.
Acontece que o Brasil é um país conservador e, em muitos casos, antipetista antes de ser bolsonarista. Há uma demanda por uma candidatura que faça valer o ideário desses eleitores e que tenha condições de substituir o PT na Presidência. Nessa leitura, o momento seria 2030.
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Fábio Vasconcellos
- Doutor em Ciência Política pelo IESP (2013) e mestre em Comunicação Social pela UERJ (2008). Professor associado da Faculdade de Comunicação UERJ. Temas de interesse: Comportamento Eleitoral; Comunicação Política; Eleições; Opinião Pública; Analise de Dados.


