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Condições para a reeleição de Lula são melhores do que de Bolsonaro em 2022

Um analista político bastante conhecido, com livros publicados sobre comportamento eleitoral, comentou outro dia nas redes que, se Lula não melhorar a sua avaliação (ótimo+bom), hoje em cerca de 30%, será derrotado por Flávio Bolsonaro. 

Não sei exatamente quais as bases de dados ou premissas que esse analista utiliza para fazer essa afirmação. Diante disso, busquei a série da avaliação de governo de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, faltando cinco meses para as eleições. O que identifiquei é que o atual presidente tem melhores condições de reeleição que Bolsonaro, considerando o mesmo intervalo de tempo. 

Primeiro, os dados de avaliação do governo, segundo a série da Quaest. Entre julho de 2021 e maio de 2022, a taxa de avaliação negativa de Bolsonaro partiu de 45%, subiu para 56% e voltou a cair no fim do período para 46%. 

O atual presidente apresenta uma taxa de avaliação negativa menor. Partiu de 40% em julho de 2025, subiu um pouco em março deste ano e voltou a declinar, alcançando 39% este mês. 

Ou seja, o nível de avaliação negativa de Jair Bolsonaro, que foi derrotado no segundo turno de 2022 por uma diferença de apenas 1,8 ponto percentual (cerca de 2 milhões de votos), era 7 pontos percentuais maior do que o atual presidente, considerando o dado de maio 2022 versus maio 2026.

 

Uma outra forma de comparar os dois presidentes, faltando cinco meses para o primeiro turno, é o saldo da avaliação, isto é, a proporção da avaliação positiva menos a avaliação negativa. Como é possível observar no gráfico abaixo, o saldo de ambos, em todo o período é negativo. Mas repare que o saldo Bolsonaro, no fim do período, foi de 21 pontos negativos. No momento, o saldo da avaliação de Lula é de 5 pontos percentuais.  

Aparentemente, portanto, a afirmação de que Lula será derrotado se não ampliar a sua avaliação para além dos 30% (ótimo+bom) não se confirma. Em um cenário muito mais adverso, Bolsonaro conseguiu ampliar suas intenções de voto e chegar bastante competitivo em 2022.  

Isso significa que  a avaliação do presidente não importa? Não. Quer dizer que, em uma eleição, a escolha é sempre relacional. O eleitor pode até avaliar negativamente o governo, mas ele leva em conta também os custos de substituir um governante por outro que, na sua avaliação e com as informações de que dispõe, poderá implicar mais prejuízos.

É por isso que campanha eleitoral importa. 

 

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Fábio Vasconcellos

  • Doutor em Ciência Política pelo IESP (2013) e mestre em Comunicação Social pela UERJ (2008). Professor associado da Faculdade de Comunicação UERJ. Temas de interesse: Comportamento Eleitoral; Comunicação Política; Eleições; Opinião Pública; Analise de Dados.

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